segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Feliz Aniversário Atrasado


O corre-corre do dia-a-dia nos fez esquecer que no dia 20 de agosto de 2012 pusemos nossa primeira postagem no ar, ou seja: o Sem Vergonha de Contar completou já o seu primeiro aninho, e sem direito a bolo porque as mamães aqui esqueceram de marcar em seus calendários esta data especial, mas não tem nada não, o importante é lembrar e acabamos de fazer isso aproveitando o ensejo para agradecer a todos aqueles que nos honraram com seus textos, leituras, ‘curtidas’, comentários e visitas, que tornaram, neste primeiro ano, nosso canto para causos e contos um lugar mais aconchegante e especial. Parabéns a todos nós. A sua atenção é nosso melhor presente. Valeu!

Muito agradecidas,

Helena e Michele.

P.S.: o causo de hoje será publicado amanhã, antes do pôr do sol na Terra Brasilis. O SVC NR 8 de setembro já está à sua disposição. Baixe aqui. Até!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

SOL



Por Ildeu Geraldo de Araújo

Estava casado com Cleonice há 15 anos. Nossa vida transcorria numa normalidade que me agradava, pois sou uma pessoa tranquila, um tanto convencional; pelo menos achava que era, naquela época. A objetividade de Cleonice combinava com meu temperamento e os dias se sucediam numa confortável monotonia. A decisão de ir a Buenos Aires obedeceu a razões práticas: eu tinha um negócio a tratar na cidade, a estada seria paga pela empresa, a única despesa seria a passagem para minha esposa.
Ir a um espetáculo de tango é uma obrigação para todo turista em primeira viagem à capital portenha. Olhei, com má vontade, o ambiente pretensamente luxuoso e sem dúvida decadente. Ocupamos uma mesa de pista, pedimos um espumante e aguardamos o início do espetáculo conversando amenidades.
Aos primeiros acordes do bandoneon, uma luz, vinda não se sabe de onde, refletiu no drapeado das cortinas, conferindo-lhe um tom bordeaux e alargando o espaço, como se as paredes recuassem. A plateia desapareceu, estava sozinho num imenso salão. Sol, emergiu do fundo da pista de dança e caminhou na minha direção, num passo ondulante que alternava uma perna vestida de negro e outra, muito alva, inteiramente desvelada pelo rasgo de sua saia. Ela olhou-me como nenhuma mulher jamais me olhou, nem antes nem depois daquele momento mágico. Um olhar de desejo, de ternura e de entrega. Com um gesto me atraiu para seus braços. Sem qualquer possibilidade de resistir, mergulhei no abismo daquele convite e evoluímos pelo salão numa coreografia rebuscada que nossos corpos conheciam desde a criação do mundo.
Dançamos durante horas, envolvidos pela melodia apaixonante dos violinos e bandoneons. Nossos corpos pulsavam em sintonia com o ritmo passional do tango, numa exaltação de desejo e de prazer. Éramos o único par no salão, os outros casais formavam uma roda, contemplando nossas evoluções. Aos poucos foram aderindo à dança, até que o salão ficou repleto. Sol levou-me para seu camarim, olhou-me no fundo dos olhos e disse com sua voz rouca: Por que demoraste tanto? Venho aqui todos os dias à tua procura. Hoje você me encontrou beijei sua boca rubra, primeiro como quem prova uma fruta exótica, depois com a intensidade de uma paixão avassaladora.
Ficamos dias e noites num idílio sem trégua, a vida suspensa, envoltos na única realidade de um desejo sem medida seguido de um arrebatador prazer que reacendia um desejo maior ainda.
Uma tarde acordei sozinho num aposento vazio. Sol ocultara-se. Chamei por ela, gritei  seu nome, revirei as gavetas. Sentei-me na cama, que conservava as marcas da nossa paixão, ainda aturdido com aquela loucura, quando bateram na porta. És o Sr. Pedro Faria? Respondi sim com um gesto. O policial afastou-se deixando Cleonice se aproximar vista a roupa, querido, vamos para casa.


*Ildeu Geraldo de Araújo é mineiro e descobriu na escrita uma nova fonte de realização e alegria. Conheça mais textos do Autor no blog www.contosefolhetins.com.br 



Este texto foi publicado também no site Recanto das Letras e aqui reproduzido com a devida permissão: www.recantodasletras.com.br/contos/4393058



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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Um Estranho Despertar



Por Carcius Jacinto


Era sábado, uma manhã fria de outono em Jackson, um condado do Kansas. Michael acorda com o seu cachorro lambendo sua cara e se arrastando aos seus pés umas oito da manhã. Na verdade ele deveria ter sido acordado às 7 horas para ir trabalhar, mas o despertador não tocou nem sua mãe viera lhe chamar.
Ele levanta assustado, preocupado com o atraso e corre para escovar os dentes e tomar banho, passa pela copa e percebe que ninguém tomou café, aliás que nem tem café na mesa. De repente ele cai na real e enfim percebe que está só em casa. Ninguém está nos quartos nem em nenhum lugar que ele procure. Então ele liga para o celular de todas as pessoas da casa e todos os números tocam normalmente... nos quartos de cada um!
Desesperado Michael abre a porta e parte em direção às casas dos vizinhos para saber se alguém viu seus familiares. Enquanto corre, ele vê passar um filme em sua cabeça sobre todos os momentos felizes que vivera com seus pais e irmãos. Não podia ser verdade aquilo que estava acontecendo. Mas era tudo tão real e ao mesmo tempo tão louco... Para sua surpresa, Michael não encontra ninguém nas ruas ou nas outras casas próximas da sua.
Então ele corre sem destino pelas avenidas do seu bairro gritando pelo nome de seus familiares e de repente ele escuta ao longe o som do alarme do relógio do seu quarto e acorda assustado e aliviado por ver que era tudo um sonho, apenas um terrível pesadelo.
Mesmo assim Michael levanta-se, dessa vez desconfiado, e procura pelos outros integrantes de sua família e para sua alegria estavam todos ali: mãe, pai, irmão, irmã e até o seu cachorro lambão estava embaixo da mesa.
Sem comentar nada Michael beijou todos e agradeceu a Deus por ter todos os seus familiares ali com ele. E então foi trabalhar pensando no seu sonho estranho e em como ele precisava dar valor àquelas pessoas tão especiais que ele via todos os dias, mas que estaria completamente perdido se de repente acordasse sem eles.




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